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24 de junho de 2010

Carta ao meu pai. "In memoria"

Pai!
Hoje resolvi escrever esta carta, que não vai para o correio, como você sabe e, fisicamente nunca chegará até a ti.
É verdade ao fim de tantos anos resolvo te escrever. É estranho não é?
Mesmo se você pudesse me perguntar porque eu te responderia que eu precisava dizer tudo o que me vai na alma sobre você.
Mas sei que, onde quer que esteja, vais saber desta carta.
Talvez, até esteja neste exato momento a olhar sobre o meu ombro, acompanhando as palavras que escrevo
na tela do computador.
Sabes que, se te visse por ai teria dificuldades em te reconhecer. E você sabe a razão!
Sabe que hoje, conhecço mais ou menos as razões porque nunca estivemos como pai e filha. Também sabes
que já não te condeno.
O que eu não se se você sabe, é que a tua ausência doeu muito em mim. Algumas vezes menos, outras vezes com maior intensidade a dor consumia meu coraçao.
Hoje, do lado que estás, já saberá de tudo o que eu passei, dos riscos que corri, das batalhas que venci, dos verdadeiros motivos quanto as opçoes que tomei, das oportunidades que perdi e dos erros que cometi.
Portanto deves saber também que sempre tive uma pontinha de inveja dos meus amigos terem um pai.
Mas nunca me revoltei com o meu destino, com a minha sina, ou a minha sorte. Por que sempre tive a noçao e nao sei bem por que, era esta a vida que tinha que viver.
Hoje, considero todas as experiências vividas, como uma verdadeira aprendizagem. E sou grata por estar onde estou, de consegui o que ja consegui e só espero ser melhor do que já fui até aqui. Viveste a tua vida, talvez com algum peso na consciência, causado pela negligencia em relaçao a mim. E eu ainda estou a viver a minha, também com os meus segredos e os meus pesos na consciência. Com certeza, nao sao os mesmos que os teus, mas também nao sao mais leves. Quem sabe o que vai no meu coraçao sou eu e agora talvez você também. Agora olhando para esta filha como nunca pudeste fazer. E qual a verdadeira intençao desta carta? Enquanto ia escrendo pensava comigo: Meu pai pela falta da tua presença, dos teus conselhos, das conversas que podíamos ter tido, dos passeios que podíamos ter dado, do apoio, do carinho e do amor que nunca pudeste me dar. Não te culpo. Era assim que devia ser feito. E foi assim que fizeste. E quero que saibas isto, para que possas seguir a tua Luz, para redimires o que tens de remidir ou receberes o que tiveres de receber. Que a Luz Divina te proteja. E até a vista! Mas se quiser ficar para ver o resto do meu caminho, fica. Pois sei que me amas e serás minha proteção.
Quanto ao futuro, quem sabe o que seremos quando voltarmos a nos encontrar.
Da tua filha